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13 novembro 2017

Há 24 novas casas por dia no mercado (e há T0 a começar nos €200 mil)

imobiliario

Depois de nos últimos três anos os centros das cidades de Lisboa e do Porto terem sido tomadas por um frenesim de reabilitação urbana, eis que começa a surgir um número crescente de projetos construídos de raiz em zonas emergentes e com capacidade construtiva. Um resultado da consolidação da procura e da necessidade de expansão imobiliária para fazer face a essa mesma procura.

Segundo dados da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), nos primeiros oito meses deste ano foram licenciados um total de 12.347 fogos, dos quais 8392 são de construção nova. Destes, 5809 destinaram-se a habitação familiar. Ou seja, uma média diária de 24 unidades de construção nova.

“O licenciamento total de obras [entre públicas e privadas] nos primeiros oito meses do ano registou um crescimento de 13,4% face ao valor apurado no período homólogo do ano passado. E o crescimento das licenças de obras de construção nova é, no mesmo período, de 20,1%. Há, sem dúvida, um grande aumento de construção nova para habitação familiar”, confirma ao Expresso Reis Campos, presidente da CPCI.

Na Engel & Völkers, consultora especializada no segmento residencial de luxo, confirma-se a tendência de uma maior procura de terrenos no último ano tendo como objetivo a construção de raiz de pequenos condomínios de luxo.

“Neste momento, há muito interesse em comprar terrenos para fazer projetos, e já há muitos deles a serem desenvolvidos, apesar de ainda não terem entrado em comercialização. Mas durante o próximo ano já começarão a surgir em várias zonas, não só em Lisboa mas também no Estoril, Oeiras e Cascais”, adianta Manuel Neto, responsável por várias agências da Engel & Völkers, nomeadamente no Parque das Nações, Restelo, Cascais, Estoril e Comporta.

Para este responsável, não há dúvidas de que 2018 será um ano de viragem no que diz respeito a novos projetos que vão para lá da reabilitação. “Vai haver um novo boom de construção. Há muita procura para o segmento mais alto, mas é uma tendência generalizada também para projetos destinados ao segmento médio. São terrenos que estão a ser comprados, alguns já com projetos, outros com projetos aprovados há seis anos, ainda no período pré-crise, e que têm agora de ser reformulados”, revela Manuel Neto.


BOOM IMOBILIÁRIO À VISTA

Com o reforço da oferta imobiliária perspetiva-se então uma contenção na subida dos preços? “Os preços vão acompanhar a subida do mercado. A construção nova vai, para já, acompanhar essa subida”, responde o responsável da Engel & Völkers.

Em Lisboa, Rafael Ascenso, diretor da Porta da Frente/Christie’s, fala na expansão imobiliária em bairros como Santos, Santa Apolónia, Graça, Campo de Ourique e Campolide: “São zonas que vão absorver a procura que existe. A realidade é que esta dinâmica está a expandir-se para fora do centro, e nestes locais é ainda possível encontrar terrenos para construir de raiz.”

Foi o que fez o grupo de desenvolvimento imobiliário FFA Real Estate, de origem libanesa, que esta semana apresentou formalmente o seu primeiro projeto em Portugal — o Prateato, que vai nascer em Marvila.

Representando um grupo de investidores maioritariamente do Médio Oriente mas também com alguns europeus e brasileiros, o FFA Real Estate já adquiriu dez imóveis na zona da Avenida da Liberdade e adjacentes e no eixo ribeirinho, junto ao Terminal dos Cruzeiros.

“Começámos a ouvir falar de Portugal em vários meios de comunicação estrangeiros e em finais de 2015 viemos há procura de boas oportunidades. Ficámos apaixonados por Lisboa desde o primeiro momento e estamos neste momento muito empenhados em desenvolver vários projetos residenciais e de hotelaria, num valor global pouco abaixo dos €100 milhões”, revela Georges Abu Jaoude, CEO da FFA Real Estate.

O projeto de Marvila, que absorve €16 milhões desse bolo total, foi o primeiro a avançar, esperando-se que dentro de um ano estejam finalizados os 51 lofts, a grande maioria T0 e T1 (com preços a começar nos €200 mil), servidos com pista de jogging, lavandaria self service, energia solar, horta comunitária e espaço coworking, particularidades pensadas para “promover a interação entre moradores e retomar o conceito de comunidade”.

A 400 metros do futuro Hub Criativo do Beato, dinamizado pela autarquia de Lisboa, que deverá receber os primeiros ocupantes no final do próximo ano, o Prateato será o primeiro de vários empreendimentos do grupo libanês nesta zona.

“Estamos neste momento a negociar mais dois ativos, pois acreditamos convictamente nesta zona da cidade, situada entre a zona histórica de Lisboa e a Expo e o aeroporto. Vai haver um boom imobiliário nos próximos anos”, sublinha o responsável da FFA, lembrando que existe neste momento muito“apetite” de vários tipos de investidores, dos vistos gold ao alojamento local, passando pelos portugueses que querem voltar a residir na cidade.


PORTUGUESES TAMBÉM PAGAM A PRONTO

Com Portugal na rota de um número crescente de estrangeiros que aqui desejam adquirir casa e com os portugueses a regressarem também às compras, o futuro afigura-se folgadamente risonho para o sector.

Com um valor médio de transação na ordem dos €780 mil, a Porta da Frente tem neste momento clientes de todo o mundo, alguns dos quais começam a chegar de geografias ainda pouco faladas por cá, como é o caso dos americanos. “Mas os grupos com maior peso são os portugueses e os brasileiros, cada um deles com uma fatia de 33% do nosso volume de vendas [que até ao final do ano deverá fechar nos €270 milhões].”

Os portugueses, agora taco a taco com os brasileiros, não chegavam aos 20% da faturação da Porta da Frente há apenas dois anos. Seja junto de nacionais ou estrangeiros, dinheiro não falta: “95% das nossas transações são feitas sem recurso ao crédito.”

A quantidade de clientes abonados revela-se também na rapidez com que o produto que entra no mercado é escoado. “Há três meses lançámos o edifício Teatro, no centro de Cascais, e de 21 frações restam apenas quatro.” Ou o condomínio de luxo Ocean Residence, no Monte Estoril, em frente ao mar, cuja conclusão só está prevista para o final do ano mas já sem apartamentos para venda, apesar de chegarem aos €3,5 milhões, exemplifica Rafael Ascenso.

Fonte: Expresso

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