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06 outubro 2010

Medidas de austeridade terão efeitos negativos no mercado imobiliário

Medidas de austeridade terão efeitos negativos no mercado imobiliário, afirma Reis Campos

O pacote de medidas de consolidação orçamental que o Governo apresentou há uma semana levanta algumas dúvidas e preocupações. Para o presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), o mercado vai sofrer com estas medidas, sobretudo o segmento habitacional.

«O mercado imobiliário vai, com toda a certeza, sofrer as consequências destas medidas, que se reflectirão na actividade das empresas, sobretudo no segmento habitacional, já profundamente penalizado. Desta forma, os efeitos imediatos serão mais desemprego. Veja-se que há cerca de dois anos afirmámos que se nada fosse feito para inverter a situação que se vivia no sector, em particular no mercado da habitação, responsável por cerca de 60% da mão-de-obra, se poderiam perder 95 mil trabalhadores, cenário que se veio a confirmar», afirma Reis Campos, presidente da CPCI.

Para este responsável, o sector da Construção e do Imobiliário será mesmo, e uma vez mais, «um dos mais afectados pelas propostas anunciadas pelo Governo». «Basta ver que a única medida que efectivamente entrou em vigor foi, por despacho do Ministério das Finanças e da Administração Pública, a imediata suspensão de novos investimentos públicos. E não se trata dos “grandes investimentos”, mas de todos os projectos de proximidade que asseguram a actividade das empresas e o emprego, tais como hospitais, escolas, reabilitação, manutenção preventiva de infra-estruturas como pontes e estradas, que o Estado não pode descurar, sob pena de colocar em causa a segurança pública. As restantes medidas serão ainda alvo de debate e negociações, mas o corte no investimento já é efectivo e irá agravar significativamente a situação das empresas do sector».

Na sua opinião, também os níveis de confiança e a capacidade de investimento dos portugueses, designadamente em bens duradouros como o é a habitação, sairão profundamente afectados.

«Neste momento, as famílias não dispõem de alternativas que no actual contexto de incerteza e de dificuldades no acesso ao crédito lhes permitam aceder à habitação. Porém, há que contrariar esta tendência e, neste sentido, a Confederação da Construção e do Imobiliário desenvolveu um estudo que apresenta soluções que devem ser contempladas no Orçamento de Estado, tendo por base a mobilização do investimento privado e dos fundos comunitários previstos no QREN». Entre elas, Reis Campos destaca a «dinamização da reabilitação urbana, o reforço do investimento público na conservação e manutenção das infra-estruturas necessárias ao País, a criação de condições para aumentar a competitividade das empresas, e o apoio à internacionalização da Construção e do Imobiliário».

Maior ponderação na tomada de decisões

No contexto das medidas agora apresentadas, a Era Portugal antecipa períodos de maior ponderação e reserva na tomada de decisões no sector imobiliário. Mas mantém-se optimista.

«Pensamos que a esmagadora maioria dos portugueses percebe que as medidas de austeridade eram inevitáveis. Provavelmente nos próximos meses encontraremos algumas reservas e maior ponderação na tomada de decisões no sector imobiliário. Mas encontraremos, por outro lado, novas lógicas de mercado, com maior flexibilidade dos mercados e dos seus agentes e, neste contexto, consideramos que é expectável que os preços das casas baixem», entende Miguel Poisson, director geral da Era.

Para o mesmo responsável, «o aumento do IVA para 23% e as alterações de IMI e IMT irão certamente, no contexto actual de maior dificuldade de acesso ao crédito à habitação, contribuir para uma maior pressão sobre os proprietários que têm actualmente a sua casa à venda. Para poderem efectivamente vender as suas casas, os proprietários vão ter que aceitar o preço oferecido pelo mercado».

A Era perspectiva, por outro lado, uma «subida da procura ao nível do arrendamento, mas sempre condicionado pela pouca oferta que este mercado oferece e da quase inexistência de protecção real aos proprietários dos imóveis. O actual sistema de justiça não responde eficazmente ao incumprimento do pagamento das rendas por partes dos inquilinos».

“Oportunidades de negócio vão continuar a surgir”

Para a Era, não será mais este “apertar do cinto” que vai impedir que as oportunidades de negócio continuem a surgir. «Há mais de 300.000 casas à venda em Portugal e culturalmente os portugueses preferem comprar, pois preferem pensar numa perspectiva de longo prazo e encaram a compra de um imóvel como uma forma de aforro e poupança. Apesar das circunstâncias, acreditamos que a ERA vai continuar a crescer e a ganhar quota de mercado», afirma Miguel Poisson.

«Muitas vezes, os momentos de retracção económica traduzem-se em momentos de crescimento e conquista, pois há um maior empenho e maior necessidade por parte das empresas e das pessoas em inovar, em apostar na tecnologia e na criatividade, e na procura de soluções».

«É possível que haja temporariamente uma retracção da procura e muitas famílias poderão adiar as decisões de compra mas acabarão certamente por comprar. A vida continua. Curiosamente, as baixas taxas de juro na remuneração dos depósitos a prazo e a falta de confiança em alguns activos financeiros têm levado muitos investidores a utilizar as suas poupanças para apostar no sector imobiliário que tem proporcionado historicamente em Portugal um retorno de investimento mais seguro», conclui.

Fonte: CASASAPO

Total de comentários:1Comentários

(06 out 10 02:49) filomena ferreira

crise

este governo ainda nao viu que construçao e imobiliario parado e pais parado,conseguimos uma lufada de ar fresco o 2ºtrimestre, e ja vamos parar outro vez, nao ganhamos para as contas quanto mais para investir ou poupar...fora com o governo, o presidente que governe que contrate bons profissionais para gerir, e acaba-se com os partidos.......................

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