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04 September 2012

Brasil, Europa e Portugal; rotas do mercado imobiliário no final de 2012!

Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

A caminho do final do ano, os ventos da mudança no Brasil parecem continuar de feição.

Apesar de alguma decepção com a divulgação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos resultados do PIB no segundo trimestre, que levaram os analistas a baixarem suas previsões de crescimento para o corrente ano em torno de 1,5%, o Brasil prossegue crescendo, acreditando que a descida dos juros, os novos estímulos à economia, mais investimento público e expansão do crédito, possam produzir efeitos sobre a atividade produtiva, apesar das incertezas quanto ao comportamento da economia no exterior.

Verificando-se uma ligeira desaceleração, o mercado imobiliário brasileiro mantém-se condicionado por uma procura (demanda) superior à oferta, apesar de nos últimos três anos o volume anual de lançamentos das principais empresas promotoras (incorporadoras) ter duplicado.

Segundo uma pesquisa da Fundação João Pinheiro que mede o déficit habitacional do País, existem potenciais compradores com condições de aquisição, em todos os estratos sócio económicos da população brasileira. Estima-se que as empresas teriam de construir meio milhão de imóveis a mais todos os anos para fazer face à procura.

Com o crescimento da economia, da empregabilidade e do financiamento, as famílias brasileiras vão concretizando o sonho de adquirir casa própria. A expansão imobiliária dos últimos anos está a provocar transformações urbanas em todo o Brasil e a resposta começa a ganhar forma pela mão da ADIT Brasil, as comunidades planejadas.

Empreendimentos imobiliários de larga escala, em que a construção possa ocorrer respeitando o meio-ambiente, obedecendo às leis urbanísticas e oferecendo soluções adequadas de saneamento e abastecimento de água. Felipe Cavalcante, presidente do Conselho de Administração da ADIT Brasil, comentava há dias numa rede social, a sua grande expetativa e esperança, após uma audiência com o Ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro.

No Brasil começa-se a falar sem preconceito ideológico, de parcerias entre o Estado e a iniciativa privada como parte da solução para o crescimento ordenado das cidades. Criar um marco regulatório para o setor das comunidades planejadas e a melhoria urbanística dos empreendimentos imobiliários, incluindo os abrangidos pelo programa “minha casa, minha vida”, serão os próximos passos. Enquanto isso na Europa, prossegue um lento ajustamento da oferta à diminuição da procura, por via da estagnação a norte e contração a sul das economias, do desemprego e da escassez de financiamento hipotecário. Continuam os comentários acerca da necessidade de uma profunda reestruturação das dívidas soberanas e das instituições europeias, para que as dúvidas em torno da sustentabilidade da dívida pública da zona Euro se dissipem.

Com a solução “eurobond´s” absorvendo toda a dívida pública existente e com a sua maturidade dilatada no tempo, com negociação de períodos de carência sobre o serviço da dívida e oferecendo boas rendibilidades, provavelmente a crise da zona euro seria resolvida.

Não existindo consenso quanto à mutualização da dívida pública da zona Euro, com perspetivas de crescimento económico muito fracas, a Europa prossegue num limbo de incertezas quanto ao seu futuro. Por esse motivo, são cada vez mais os empresários do setor imobiliário europeu, a apostar no mercado brasileiro, apesar dos desconhecimento quanto ao seu “modus operandis” provocar receios iniciais. E em Portugal? Voltamos a insistir que apesar da reabilitação das cidades estar a ganhar expressão, o envelhecimento dos principais centros urbanos e da sua população, Lisboa e Porto, subsiste.

Nestes municípios, de acordo com os censos de 2011, 25% da sua população residente tem mais de 65 anos e o número de alojamentos vagos alguns em condições de extrema degradação, ultrapassa os 700.000. Perante estes números e com o acrescendo da grave situação que grassa na indústria da construção e do imobiliário, a reabilitação do edificado poderia assumir um papel dinamizador e revitalizador.

Atenuar a degradação do património edificado, dinamizar economicamente os núcleos urbanos degradados, parecem ser soluções óbvias para um rejuvenescimento do edificado e da sua população residente. Voltamos também a insistir, que a atual situação económica, o elevado endividamento das famílias e o desemprego, merecem um olhar atento quanto à habitação social e particularmente ao mercado social de arrendamento.

Num recente trabalho publicado pelo IHRU (Instituto Habitação e Reabilitação Urbana) que cruzou dados dos censos 2011 com o inquérito à caraterização da habitação social em 2011, a percentagem dos “fogos”de habitação social arrendados no total de alojamentos arrendados é cerca de 14,3% e de apenas cerca de 2% se considerarmos os “fogos” de habitação social nos alojamentos familiares.

A nova lei do arrendamento urbano que em breve entrará em vigor, espera-se, virá introduzir finalmente uma lógica de funcionamento, com o ajustamento da oferta à crescente procura, no mercado livre de arrendamento.

Mas mesmo que esse ajustamento se venha a verificar no médio e longo prazo, milhares de famílias por incapacidade financeira, não vão encontrar uma solução de alojamento no curto prazo. É para essas famílias que urge encontrar respostas.

Source: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

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