Create ad!
Access personal area List of Properties

Date: 18/9/2019
Frequence: Daily
Editions: Free

News Search

Search

26 February 2014

Celebração do aniversário do “Real” no Brasil e a “corrente” de boas notícias do lado de lá!

Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

No Brasil, neste mês de Fevereiro, é motivo de comemoração a implantação do “ Real”. Um marco decisivo na história política e econômica das últimas décadas pelo que significou de rotura com um longo ciclo de “ hiper - inflação” e a criação das bases para o Brasil do novo milênio. Com início na década de 70, minou a economia brasileira e o poder de compra da sua população. De 1980 a 1993, o Brasil já havia tido quatro moedas diferentes, cinco congelamentos de preços e nove planos de estabilização.

Foi a 27 de Fevereiro de 1994 que uma equipe liderada por Fernando Henrique Cardoso implementou um programa de estabilização econômica conhecido por “plano real” com o principal objetivo de controlar a inflação. Nesse ano a taxa de inflação no Brasil era de 916,460% (novecentos e dezasseis mais uns quebrados por cento) ao ano, enquanto por exemplo no Chile se cifrava nos 8,946% e em Portugal, Espanha e Itália, se situava entre 4,0 e 4,5 %. Em 2006, ano da minha primeira visita de cariz profissional ao Brasil a taxa de inflação anual era já de 3,142% enquanto no Chile, Espanha, Portugal e Itália se situava num intervalo de 2,0 a 2,7%. Os resultados de mais de uma década de duro combate à inflação e de robustecimento da economia, permitiram o início de um novo ciclo de “inclusão social”.

Com o primeiro mandato de Lula da Silva, milhões de brasileiros acederam pela primeira vez a novos padrões de consumo, bem- estar social e se permitiram ao sonho de ter uma “casa própria”. Hoje a sustentabilidade do crescimento do mercado imobiliário residencial beneficia de um quadro de estabilização económica, do crescimento do poder aquisitivo da população em geral e do estímulo das políticas sociais de habitação como o programa “minha casa, minha vida”. O ano de 2014 começou com uma boa elasticidade da procura por novas moradias pelos estratos económicos emergentes, mantendo-se inalterada a prudência das instituições financeiras, quanto à avaliação dos ativos imobiliários dados como garantia para o financiamento de aquisição de moradia.

De acordo com as últimas informações divulgadas, o L.T.V. (Loan- To- Value) mantém-se próximo dos 70%, o que significa que se um imóvel for avaliado em cem mil reais, em média, os bancos estão inicialmente dispostos a emprestar ao cliente comprador, setenta mil reais. Do lado dos profissionais da intermediação imobiliária este é também um bom indicador para que melhor possam qualificar os seus clientes compradores e saber aconselhá-los na quantificação dos valores necessários para a “entrada”, na operação de compra de um dado imóvel. Ainda segundo uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, quase 8 milhões de brasileiros devem adquirir casa própria nos próximos dois anos, recorrendo ao financiamento bancário. Em 2014, para satisfazer essa procura, o volume de capital destinado ao crédito – habitação proveniente de recursos da carteira de poupança e FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) será de cerca de 170 bilhões de reais. A par da elasticidade da procura, a praticar-se um L.T.V. médio abaixo dos 80% e um montante de financiamento contratado abaixo dos 10% do PIB (Produto Interno Bruto), o mercado imobiliário brasileiro continuará a dar sinais de crescimento sustentado, de solidez e proteção. Existem motivos de sobra para manter o otimismo. Mas para que possa retomar um maior nível de crescimento econômico, o Brasil vai precisar rapidamente de se ajustar a novas realidades globais e a organização de grandes eventos de dimensão e visibilidade mundial como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas de 2016 vêm demonstrado a fragilidade e debilidade do seu atual modelo de desenvolvimento.

Quanto à corrente de boas notícias do lado de lá, ela não quebrou. Lisboa recebeu em 2013 mais de 10 milhões de turistas, afirmando a capital do País como um destino turístico europeu de referência. Para além do bom desempenho de outros setores económicos exportadores, o imobiliário também se vem tornando “exportável”. De acordo com fontes da APEMIP (Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal) os “vistos gold” captaram em 2013, um investimento em produtos imobiliários próximo de 300 milhões de euros e estima-se que neste ano, esse valor possa ser duplicado. Para além da China, Rússia e África do Sul, os principais fluxos de investidores provêm de Angola e Brasil. São dados importantes para a definição de uma estratégia de comunicação e marketing direcionada para esses mercados. Excluindo a Rússia, todos os restantes países têm elos de ligação à Comunidade Lusófona.

Angola e Brasil são nossos parceiros na C.P.L.P. (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), temos uma significativa comunidade de emigrantes portugueses e seus descendentes na África do Sul e a uma ligação à China, via região administrativa especial de Macau. Já existe uma plataforma em participam empresários e quadros técnicos portugueses que poderia aglutinar um esforço comum de afirmação da marca Portugal como destino seguro e transparente de investimento e de promover os seus produtos imobiliários. A CIMLOP (Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa) dotada de mais e melhores meios, poderia ser um meio eficaz de captação de investidores nesses mercados –alvo. Enquanto isso não acontece, a Fundação Associação Industrial Portuguesa com o apoio da CIMLOP vai organizar este ano uma ação de internacionalização no mercado chinês, a “Portugal-China Property & Investment Road Show” com um objetivo promocional mas também de iniciar contatos com associações do setor da construção e do imobiliário de Macau.

Também o “Casa Sapo”, líder dos portais imobiliários em Portugal marca hoje presença em Angola, Moçambique e Cabo Verde, pelo que poderia ser um importante parceiro tecnológico desta estratégia de internacionalização. Não querendo quebrar a corrente de boas notícias, mas em função das últimas declarações públicas de representantes dos profissionais do setor imobiliário, a banca vem persistindo em não querer fazer parte da solução. Num momento em qua o mercado imobiliário vive uma tímida retoma, “abarrotada” de imóveis nos seus ativos em muito casos devido à sua “inflexibilidade” na hora de renegociar a dívida com os clientes com prestações em atraso, a banca continua a causar graves distorções no funcionamento do mercado de compra e venda ao praticar condições preferenciais de taxas de juro e outros custos associados à venda de casa a clientes compradores dos seus “stocks”. Já por diversas ocasiões temos alertado para esta questão e temos dado um exemplo.

No início deste milénio, a NAR (National Association of Realtors), associação dos profissionais imobiliários dos EUA, travou uma dura batalha no congresso norte-americano por forma a impedir a intervenção direta da banca no mercado imobiliário. Este tipo de intervenção a é uma tentação que vem de longe. Mesmo utilizando outras formas de intervenção, deve continuar a ser denunciada pelos profissionais do setor e um assunto a ser seguido pelo poder regulatório dos decisores governamentais e pelo poder legislativo.

Source: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

Comment

Submit

The comments are always subject to previous approval. Comments that are offensive, defamatory, slanderous, discriminatory, and inadequate to the text that is being commented on, will not be placed online.