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05 December 2013

Em 2014 ousemos ser brasileiros esperando que em Portugal se ouse ser português!

Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

Foi recentemente lançado o primeiro vídeo “ouse ser brasileiro” de uma campanha da marca oficial de material desportivo da seleção brasileira, focada no Brasil e na Copa do Mundo. Cada um dos jogadores que participa neste “spot” publicitário tem sua parte como protagonista, no qual ele se recorda do seu estilo pessoal de vivenciar o jogo bem como das suas origens.

É esse o nosso grande desafio para 2014. Que cada um de nós, tenha a sua quota-parte de protagonismo num caminho de futuro. Será necessário “ficar esperto” com a evolução macroeconômica no país e no exterior (ameaças e oportunidades) mas os negócios vão desenvolver-se na microeconomia (pontos fortes e pontos fracos). O quadro da primeira influencia com maior ou menor grau de importância a segunda, mas nem sempre a primeira se aplica necessariamente à segunda. Como me relembram, a cada obstáculo, meus amigos e parceiros brasileiros que aqui sempre viveram, trabalharam e empreenderam, nunca deixaram de prosseguir o seu caminho apesar de cenários bem mais adversos. Hoje no Brasil, algumas nuvens cinzentas pairam no céu azul anil. Depois de dois anos de prolongada “festa” (2009-2011) o mercado imobiliário vive num cenário de ajustes e normalização e a economia brasileira não está lá “essas coisas”, prevendo-se no próximo ano um crescimento do PIB entre 2 e 3%. 2014 vai trazer ainda algumas outras condicionantes locais.

Um “serôdio” carnaval em Março, a copa do Mundo em Junho / Julho e eleições presidenciais lá mais para o final do ano. Planejar objetivos empresariais e implementar as medidas que a eles possam conduzir vai requerer uma grande “elasticidade” na fixação de metas e uma dose reforçada de “jeitinho brasileiro”. Para a fileira da construção e do imobiliário, o “jeito” será encontrar condições de velejar com águas tranquilas e ventos fracos. O mercado à escala nacional deverá manter a atual dimensão. O número de lançamentos deverá decrescer e os estoques imobiliários entretanto acumulados deverão alimentar a demanda, a preços relativamente estáveis ao longo do ano.

Sabemos que nos últimos anos, os preços subiram exageradamente nalgumas cidades o que levou a um excessivo crescimento da oferta e uma consequente criação de estoque imobiliário. São situações perfeitamente identificáveis e circunscritas. Também os investimentos especulativos de curto prazo em lançamentos imobiliários na “planta” já viveram melhores dias. Algumas incorporadoras com elevado estoque de produto “acabado” deverão continuar a promover descontos e outras ofertas promocionais para um mais rápido escoamento, tornando alguns potenciais bons “investimentos” em “armadilhas”. Por motivos profissionais recebo diariamente na minha caixa de email, convites para participar de novos lançamentos de empreendimentos imobiliários em Fortaleza e nos munícipios limítrofes.

Porém também é cada vez mais frequente ser contatado por alguns investidores - especulativos que querem vender seus imóveis já prontos a habitar, a preços que não contemplam a margem de rentabilidade anunciada quando os adquiriram nas fases iniciais do empreendimento. É o lado da demanda a reequilibrar um mercado até aqui ditado pela oferta e novas oportunidades a surgir na prestação de serviços de aconselhamento.Em 2014 deverá manter-se a tendência para uma adaptação organizada e faseada da oferta à demanda que se manterá crescente mas menos ávida por satisfazer a qualquer preço suas necessidades. Os compradores de terrenos, casas e apartamentos, deverão começar a ditar sua lei no mercado imobiliário. O crédito imobiliário deverá continuar disponível, acompanhando o crescimento da demanda mas mantendo os critérios prudenciais que têm minorado os riscos de “inadimplência”.

Estima-se que nos próximos 3 a 4 anos, o crédito imobiliário possa atingir os R$ 200 bilhões. Assim uma demanda real sustentada por défice habitacional, crescimento demográfico, melhoria generalizada do poder aquisitivo e baixo desemprego, apoiada em crédito e benefícios governamentais aos estratos sócio econômicos mais desfavorecidos para aquisição de primeira moradia, determinam um bom grau de confiança no futuro próximo do mercado imobiliário. Como já referimos, em 2014 teremos de ser extraordinariamente mais produtivos, pois sabemos que teremos muito menos tempo útil para efetivar negócios.

Uma coisa é certa; no Brasil o carnaval e outras celebrações jamais serão eliminadas do calendário por decreto. Enquanto isso a Europa não consegue inverter um ciclo vicioso de desemprego elevado, baixo crescimento econômico, austeridade fiscal, fragilidade do setor financeiro, riscos elevados de algumas dívidas soberanas e crescentes assimetrias regionais. Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Chipre continuam a ser os países europeus com maior dificuldade em sair da “teia” recessiva. Só a convicta subserviência de alguns e a falta de coragem política de outros, tem impedido a criação de um frente comum dos países do Sul da Europa. Para 2014, diferentes previsões apontam para um crescimento económico próximo de 1% em Portugal. A aposta terá de ser no crescimento das Exportações para compensar a diminuição em Gastos Públicos, os baixos níveis de Investimento privado e a estagnação do Consumo das famílias.

E o mercado imobiliário? No último trimestre de 2013 alguns sinais positivos do cenário macroeconômico melhoraram os abalados níveis de confiança. Espera-se que no próximo ano, os potenciais compradores readquiram maior confiança no nível de preços e deixem de procurar apenas “bons negócios” de ocasião. A maioria dos operadores portugueses com quem mantemos um contato regular, coincidem numa expetativa de melhoria do desempenho do mercado imobiliário em 2014, na medida da estabilização dos preços de venda dos imóveis particularmente residenciais e o fim de um ciclo de continuada descida. Segundo estudos do FMI publicados recentemente, Portugal está entre os países com o imobiliário mais subvalorizado. Por outro lado, o mercado de arrendamento depois de um acentuado crescimento começa a dar sinais de abrandamento. Mas mais uma vez, tudo irá depender das decisões dos “senhores” da banca.

Qualquer imprudente decisão de se tornaram ainda mais interventivos no mercado, já que detém um elevado estoque imobiliário, irá pôr em causa o ténue equilíbrio de preços que parece agora possível atingir. Os operadores de referência do mercado imobiliário mantêm suas expetativas quanto ao relançamento da atividade imobiliária e sua participação na recuperação econômica do país. Também os dirigentes das associações do setor se têm posicionado como parceiros sociais credíveis e responsáveis. Parabéns Luís Lima pelo trabalho já realizado e pela renovada confiança que os associados da APEMIP depositaram no trabalho a desenvolver no futuro. Uma última nota; a Associação Académica de Coimbra entregou ao Presidente da República uma petição com mais de 4 mil assinaturas em que é pedido um regime de exceção à lei do arrendamento para as “Repúblicas de Estudantes”. As “Repúblicas” são patrimônio arquitetónico e cultural da cidade de Coimbra, do país e da lusofonia. Talvez se possa começar já por esta causa, afirmando a ousadia de ser português.

Source: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

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