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24 April 2017

Euribor em queda – valerá a pena apostar em taxa variável no crédito à habitação?

Sérgio Pereira, Cofundador e Diretor-Geral do ComparaJá.pt


Quando se recorre a um crédito à habitação para comprar casa, há que optar entre taxa fixa ou variável, o que se revela um verdadeiro dilema já que estas taxas refletem-se nas prestações a desembolsar. A taxa fixa é acordada entre ambas as partes, ou seja, cliente e instituição de crédito, e mantém-se inalterada durante a vigência do contrato. A taxa variável é indexada à Euribor, resultando da soma entre a Euribor com o spread praticado pela instituição. Como a Euribor sofre alterações numa base diária, a taxa é revista com uma determinada periodicidade, acordada entre cliente e instituição – geralmente a cada 3, 6 ou 12 meses. 

Os últimos valores da Euribor fizeram história ao alcançarem valores negativos e têm continuado a apresentar uma tendência decrescente. Em janeiro de 2014, a Euribor a 12 meses fixou-se nos 0,555% e exatamente três anos, em janeiro de 2017, encontrava-se nos -0,083%. Em abril de 2017 os valores decresceram para -0,12%. 

O que estes valores representam é que quem solicitou crédito à habitação a taxa variável desde 2014 só tem vindo a beneficiar dessa decisão. No entanto, um aspeto muito relevante da taxa proposta pelo banco é o spread, que varia de banco para banco e pode inclusivamente ser objeto de negociação por parte do cliente. Para além do spread e do indexante, existem outros fatores a ter em conta aquando da solicitação de um crédito à habitação: quais os seguros associados, qual o montante total imputado, qual o prazo mais adequado? Neste aspeto, quem fica realmente a beneficiar é quem escolheu de forma ponderada a fonte de crédito. É que, por muito baixos que estejam os valores da Euribor, o cliente não estará a tirar verdadeiro proveito se recorreu a um crédito que tenha por exemplo um spread elevado, condições de produtos associados menos vantajosas ou comissões elevadas de processamento de prestações mensais. Para evitar este tipo de situações importa, antes de mais, comparar todas as taxas que os bancos estão a oferecer. 

Tudo aponta para que a Euribor se mantenha em queda. No entanto, um crédito à habitação é um compromisso relativamente longo - na generalidade dos casos, o prazo para reembolso do empréstimo ronda os 30 anos e, quanto ao futuro da Euribor para esse horizonte temporal, não há de todo garantias de que se mantenha nos reduzidos valores que temos testemunhado recentemente ou se, por outro lado, verificar-se-á uma subida gradual ou acentuada. 

A questão da escolha entre taxa fixa ou variável prende-se principalmente com a vontade em arriscar ou, por outro lado, com a preferência pela estabilidade. Neste momento, quem optar por taxa fixa irá estar, por enquanto, a pagar mais por mês ao banco do que se optasse por taxa variável, mas existe a certeza de que não surgirão surpresas desagradáveis ao longo do caminho. Aliás, é tudo uma questão de relatividade: comparando com a taxa variável de há dez anos, o crédito à habitação com taxa fixa torna-se bastante apelativo. Quem não garante que daqui a dez anos o cenário não será o mesmo? 

Poderá sempre pedir transferência do crédito à habitação em curso para uma instituição que apresente uma oferta mais vantajosa. É uma possibilidade ao longo da vigência de todo o contrato de crédito e até já há instituições a providenciar suporte quanto aos custos de transferência de crédito. No entanto, atenção: a comissão de reembolso antecipado é de 2% nos créditos a taxa fixa e de 0,5% naqueles a taxa variável. Portanto, se no futuro quiser transferir o crédito para outra instituição, esse custo será mais elevado, pois irá ter de suportar esses encargos e os encargos relativos ao processo de transferência. 

Cada situação é uma situação e não existe uma resposta certa. Faça as contas e simule qual será o impacto a longo prazo da variação da Euribor na sua prestação mensal, que poderá até vir duplicar. Lembre-se que quanto mais longo for o prazo de reembolso, maior é o risco. É capaz de assumir este risco e suportar eventuais aumentos no valor das prestações, ou prefere assegurar uma prestação constante ao longo da vida do seu crédito?

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