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12 November 2013

Quem não estiver empenhado em encontrar soluções, vai continuar a fazer parte dos problemas

Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

Neste “lugar” de oportunidades tem sido possível e gratificante juntar com a possível regularidade, um grupo de pequenos e médios empresários brasileiros, portugueses e italianos do setor da construção e do imobiliário, por forma a partilharmos experiências vivenciadas no passado e no presente, diagnosticarmos e isolarmos problemas e encontrarmos soluções comuns. Uma conclusão recorrente é que hoje o principal problema do Brasil é a baixa produtividade.

Se ao nível macroeconómico dependemos da vontade dos decisores, nas empresas no que de nós dependermos vamos ter de usar melhor os recursos físicos e humanos existentes. Precisamos de continuar a inovar e modernizar para nos tornarmos mais eficientes. Precisamos continuar a aproveitar nossa experiência profissional em outros mercados, aprofundar o intercâmbio de boas práticas de gestão à escala global, apostar na formação profissional e treinamento dos recursos humanos, introduzir novidades em tecnologia, materiais e soluções construtivas, modernizar os canais de distribuição do produto imobiliário, reforçar a cooperação entre os agentes da cadeia produtiva, criar massa crítica e consequentemente “economia de escala”. Independentemente do lugar onde nascemos, este foi e é o “lugar” que escolhemos para realizar nossos sonhos e empreender. Acreditamos no futuro do Brasil, na sua capacidade coletiva de superação e realização.

Vivemos hoje rodeados de muitas expectativas, poucas incertezas e alguns obstáculos a um maior nível de crescimento e desenvolvimento. No Brasil, precisamos de mais incentivos públicos em “I&D” e criar mais centros de “excelência” universitária. A Embrapa, centro de pesquisa agrícola criado nos anos 70 é um ótimo exemplo que deveria ser replicado aos outros setores de atividade económica. Nas últimas 3 décadas, a produtividade do setor agrícola muito beneficiou da partilha das suas descobertas com os agricultores, em tratamento de solos e novas sementes. Também os avanços quantitativos no acesso das novas gerações ao ensino superior têm sido enormes nos últimos anos, mas esse objetivo deveria ser acompanhado por um planejamento da excelência para as universidades públicas brasileiras. A internacionalização aproveitando capilaridades linguísticas, culturais e territoriais nomeadamente com os países de Expressão Portuguesa e da América Latina e a criação de metas, incentivos e objetivos para os investigadores universitários quanto a mais citações em publicações científicas; estes são indicadores de excelência universitária que não deveriam ser descurados.

A fiscalidade, burocracia e tributação brasileira, é um problema unanimemente citado e diagnosticado por investidores, empresários, economistas e consultores de negócios. O regime de tributação simples criado em 2006 trouxe para a economia mais micro e pequenos empresários gerando mais empresas e empregos formais. Mas abrir uma empresa no Brasil, em média, continua a demorar mais de 100 dias e as empresas brasileiras continuam a gastar por ano milhares de reais e horas para lidar com a burocracia. No que se refere ao discurso e diagnóstico, existe unanimidade. É preciso vontade e capacidade de realizar as reformas adequadas à simplificação dos sistemas. Abertura de maior espaço ao investimento privado e à concorrência, regulação versus intervenção direta, são outros fatores que carecem de escolhas consistentes. Hoje no Brasil não existe risco jurídico, como em inúmeras ocasiões a presidenta Dilma Rousseff tem reafirmado. É uma condição necessária à captação de investimento nacional e internacional, mas não suficiente. Hoje no Brasil competimos em atratividade de investimento com outros destinos e deveria servir de alerta uma pesquisa recente do Fórum Económico Mundial que avalia o ambiente de negócios em 148 países.

O Brasil encontra-se classificado no patamar inferior integrando o grupo dos 10 países com mais baixa avaliação. Excessivo intervencionismo estatal, desperdício de dinheiro público, morosidade na abertura de empresas e complexidade da tributação, são as principais causas dessa classificação. Enquanto se aguardam por reformas estruturantes e melhorias no ambiente de negócios, nas atuais condições é possível continuar a encontrar soluções para as empresas crescerem e o País manter níveis moderados de crescimento. Perante a evolução do cenário internacional tendente a uma maior estabilização dos preços das matérias- primas, sendo expetável a aceleração da retoma das economias mais desenvolvidas e uma depreciação do Real, as Exportações brasileiras continuarão beneficiadas. Também o baixo nível de desemprego deverá manter um moderado crescimento do Consumo. As deficiências em infra- estrutura e o elevado défice habitacional deverão manter a necessidade de grandes níveis de Investimento Público apesar das crescentes preocupações com a evolução da dívida do Estado e do Setor Empresarial Estatal, sendo que a maior incógnita macro – económica, pelas razões já referidas, se encontra nos níveis de Investimento Privado.

Enquanto isso a Europa parece estar a caminhar para o fim do ciclo recessivo. Sendo a taxa de desemprego a variável que segue mais desfasada dessa evolução positiva, a maioria da população europeia particularmente a dos países periféricos sujeitos aos planos de ajustamento financeiro, não tem ainda razões para partilhar dessa esperança. As taxas de desemprego prosseguem em níveis históricos e os rácios de dívida pública em relação ao PIB continuaram a aumentar. Numa tentativa de aumentar a liquidez no mercado e diminuir os juros cobrados aos bancos para emprestarem dinheiro, o Banco Central Europeu anunciou recentemente uma descida na taxa de juro central para 0,25. Mais moeda em circulação irá diminuir o seu valor aumentando a competitividade das exportações da zona euro. Significa então que empresas e famílias portuguesas irão beneficiar dessa medida? Não. A torneira do crédito irá manter-se fechada e as taxas de juro praticadas pela banca manter-se-ão em níveis elevados. Em Portugal, a descida da taxa de juro de referência do BCE irá servir para as instituições financeiras utilizarem a maior liquidez do mercado e o menor juro que lhes é cobrado, para acautelarem os seus balanços.

Source: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

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