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12 août 2015

Como no clássico drama épico dos anos 50, continuamos a questionar; “Quo Vadis” Brasil?

Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

Recentemente a revista “Economist” fez eco das principais preocupações dos investidores nacionais e internacionais. O estado de graça de Joaquim Levy e da sua equipe económica parece estar chegando ao fim. E as preocupações aumentaram depois do governo ter anunciado a redução das metas do “superávit primário” entre 2015 e 2018 reveladora da grande dificuldade em gerir e planejar a “coisa pública”. Um ajuste fiscal necessário mas ainda não digerido pela sociedade e pelas bases governistas na câmara legislativa e no senado. Ou seja, um governo fragilizado pelas sondagens de popularidade e pelas iniciativas da oposição mas sobretudo pelas acções da sua base aliada.

Também a “Economist” relembra uma metáfora utilizada pelo presidente Lula da Silva quando o Brasil ganhou a classificação internacional de crédito de grau de investimento em 2008. “Existem 2 tipos de trabalhadores; um deles é um homem comportado, que cuida família, paga o aluguel da casa e não tem vícios, isso é “investment grade”. O outro recebe dinheiro, torra tudo na mesa de jogo ou bebe demais e está quebrado” isso é o “junk grade” ”.
Nos primeiros dias de Agosto de 2015 como no clássico drama épico dos anos 50, quando é real o risco do Brasil perder a classificação de grau de investimento, devemos continuar a questionar, Quo Vadis” Brasil?

Para além de um ajuste fiscal, no início do seu mandato a nova equipe económica havia apresentado medidas de estímulo è economia pelo lado da receita como a concessão de infraestruturas, privatizações e amnistia fiscal para lucros repatriados que continuam a aguardar efectiva concretização.
Com as receitas em níveis abaixo do esperado, sem crescimento económico, de acordo com analistas a dívida pública excederá 70% do PIB em 2018. E isso será incompatível com a actual nota de risco do Brasil.

Para conter as tensões inflacionistas, em grande medida provocadas pela alta do dólar, aumento dos preços administrados como telecomunicações, água, energia, combustíveis e tarifas de transporte que vieram a resultar numa taxa de inflacção acumulada em12 meses de 8,47%, o Banco Central voltou a subir a taxa de juro de referência para 14,25%, o maior nível dos últimos 9 anos.
Para que possa ter uma ideia da desvalorização do real contra o dólar e o euro, na passada semana casas de câmbio no Rio de Janeiro, cotaram o dólar a R$ 3,50 e o euro a R$ 4,00.

De acordo com os principais operadores do mercado financeiro, no final deste ano a inflacção deverá ficar acima dos 9% previstos pelo Banco Central e a retracção da economia deverá ser de 1,5% do PIB. Esta desaceleração económica vem-se reflectindo no número de lançamentos de unidades residenciais e comerciais, na quantidade de unidades vendidas e na velocidade das vendas (VSO – Vendas sobre a Oferta).
No que se refere ao decréscimo de lançamentos imobiliários algumas cidades são excepção como Curitiba, Porto Alegre e sobretudo Maceió. Mas para além da conjuntura económica desfavorável, perda de poder aquisitivo e dos níveis de confiança das famílias brasileiras no futuro, o principal motivo de um menor desempenho do sector imobiliário é a escassez de crédito. Os aumentos da taxa de juro de referência do Banco Central e os resgates das cadernetas de poupança conduziram a uma menor oferta e a uma maior selectividade na concessão de crédito imobiliário.

Segundo a ABECIP, Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobilário, nos primeiros 5 meses de 2015 o volume de empréstimos para construção e compra de imóveis com recursos das cadernetas de poupança, SFH – Sistema Financeiro de Habitação, decresceu 11,8%. Para evitar uma maior retracção na oferta de crédito, o Conselho Curador do FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, aprovou condições mais favoráveis para quem recorrer à linha de crédito que utiliza recursos deste Fundo. São mais R$5 bilhões em crédito imobiliário disponíveis no mercado.

Aproveitando essa oportunidade o Banco do Brasil acaba de anunciar projecções para aumento neste ano da sua carteira de crédito imobiliário em 26%. Para essa nova linha de crédito disponibiliza R$ 1 bilhão para financiar em até 90% do valor dos imóveis apresentando uma vantagem competitiva em relação à Caixa (CEF) ainda líder de mercado e que fixou o seu limite em 85%. Também na banca privada a crise parece aguçar a competitividade.
Nesta semana o Bradesco deverá anunciar a compra da unidade operacional do HSBC no Brasil. É um enorme esforço financeiro, acima de R$ 15 bilhões, numa tentativa de se aproximar do ITAU Unibanco e disputar a liderança do sector financeiro privado. É com base neste cenário que os operadores do mercado da construção e imobiliário se deverão posicionar. Ou seja um mercado com menor demanda e mais segmentada. Vai requerer maior especialização de serviços imobiliários, maior foco nos segmentos escolhidos, mais profissionalismo para obter diferenciação competitiva face à concorrência. Em Fortaleza por exemplo nos primeiros 5 meses do ano venderam- se 2410 unidades residenciais / comerciais. Existe mercado, existem compradores e as crises separam sem piedade o joio do trigo.

E em Portugal? Continuando sem novidades quando ao fim da “greve de zelo” do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) em relação aos “golden visa”, uma boa notícia nos chegou. A oficialização da escolha de Lisboa como sede mundial da comunidade ismaelita que tem forte presença em países da CPLP (Comunidade Países de Língua Portuguesa) nomeadamente em Moçambique. Por último uma curiosidade cinéfila. Foi o mítico Nuno Salvação Barreto que salvou Lígia no filme “Quo Vadis”.

Source: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

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