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27 agosto 2018

Projeto do The Edge Group é inaugurado até ao fim do ano e já atraiu duas tecnológicas

escritórios

Foi há cinco anos que o The Edge Group foi desaguar a Sete Rios. Os investidores viram no naufrágio do centro comercial das Twin Towers uma oportunidade para agitar as águas daquela zona da cidade. Vinte milhões de euros e algumas obras depois, nasce um novo centro de escritórios na capital, pronto para aproveitar a maré alta do imobiliário.

Das lojas que um dia encheram as galerias sobraram duas para contar a história: um ginásio e uma clínica. Quando o grupo liderado por José Luís Pinto Basto comprou o imóvel, já sabia que o modelo de centro comercial não ia funcionar ali. “A ideia sempre foi transformar. Ninguém vai a um shopping de média dimensão quando ali perto há opções com muito mais oferta, como o Colombo ou o El Corte Inglés”, explica o CEO do The Edge Group ao Dinheiro Vivo.

Face à localização “única” do edifício, os investidores não tiveram dúvidas sobre o destino a dar àqueles 15 mil m2 abandonados no coração corporativo de Lisboa. O Espaço 7 Rios abre portas até ao fim do ano com 80% da ocupação já reservada. “Temos tido procura para grandes áreas. Dois dois ocupantes serão multinacionais tecnológicas, que são o cliente mais comum nesta fase. No total haverá mais de mil pessoas a trabalhar naquele edifício”, afirma o CEO.

Além dos grandes escritórios, o centro de Sete Rios terá um “pequeno núcleo de comércio de conveniência”, como um sapateiro ou uma florista, e um Leap Center, destinado a pequenas empresas. “É um espaço que tipicamente tem 40 ou 50 empresas residentes e chega a ter 150 ou 200 empresas virtuais, ou seja, usam o centro como sede e como local para reunirem”.

É nesse mesmo modelo que funciona o Espaço Amoreiras, também gerido pelo grupo, e que ressuscitou igualmente de um centro comercial fantasma. Microsoft e Uber são alguns dos atuais inquilinos. “Há muitas empresas à procura de escritórios diferentes, porque a forma como as pessoas trabalham está a mudar. Querem ambientes mais informais e com outros serviços, como a cafetaria, o ginásio ou uma área de lazer. Nas Amoreiras é frequente vermos pessoas em reunião nas zonas públicas”, destaca Pinto Basto.

O responsável admite que o grupo está aproveitar a febre da caça ao escritório que tomou conta do país nos últimos semestres. Só no mês passado, a ocupação de escritórios em Lisboa disparou 31% face ao ano anterior. Desde o início do ano foram tomados mais de 114 mil m2 na capital, segundo a JLL. O que também tem contribuído para o aumento dos preços.

“A procura é muito maior que a oferta, mas não é só. Muitos edifícios de escritórios antiquados chegaram ao mercado para serem renovados, mas acabaram por ser transformados em habitação, que passou a ser mais rentável. Logo, a área total do parque de escritórios diminuiu numa altura em que as necessidades aumentaram. Claro que isso fez subir os preços”, explica o responsável.

O problema, ou a “oportunidade”, como encara José Pinto Basto, estende-se ao norte, onde o The Edge Group tem outro grande projeto na calha. “Tem duas componentes, sendo que uma vai avançar já. É um edifício de escritórios com 24 mil m2 na zona do Norte Shopping. Já tem dez mil m2 reservados para um ocupante. É o primeiro de uma série de edifícios que queremos ter na zona”.

O projeto de Matosinhos substituiu outra grande obra que o grupo chegou a anunciar em 2014, o Norte Center, mas que acabou por ficar em banho-maria. “Era uma parceria com a Mota Engil que tinha como âncora a construção da nova sede da construtora. Entretanto a Mota Engil acabou por desistir da ideia e o projeto, que era audaz, deixou de fazer sentido para já”. Além da sede da construtora, estava prevista a construção do primeiro grande centro empresarial do norte, num espaço de 240 mil m2 que tinha previsto um investimento de 130 milhões de euros.

“O norte tem muito potencial nesta área e o projeto que estamos a fazer agora é tão ou mais interessante que o da Mota Engil. Matosinhos é a localização ideal para este empreendimento porque é próximo do aeroporto e do Porto de Leixões”, afirma José Luís Pinto Basto.

60 milhões para 380 casas

O grupo, que segundo o responsável tem sido o “maior promotor de escritórios do país dos últimos anos”, aproveitou os anos da crise para fazer bons negócios. Um dos mais rentáveis foi a compra do edifício D. Luís, na zona de Santos, ao Millenium BCP. No espaço de “um ano e pouco” o imóvel foi recuperado, ocupado por novos inquilinos e vendido a um fundo internacional por 29 milhões de euros.

Hoje essa busca é mais difícil, reconhece Pinto Basto, por dois motivos. “Raramente fazemos projetos com menos de 10 mil m2”, e o espaço começa a escassear. Por outro lado, “nestas alturas de aquecimento do mercado, os proprietários acham que têm minas de ouro nas mãos e pedem valores exorbitantes”.

A maior parte dos imóveis hoje à venda em Lisboa e Porto estão “inflacionados”, garante o CEO do The Edge Group. Ainda assim, vão-se descobrindo algumas “pérolas”. Na lista das compras mais recentes do grupo estão dois edifícios em Lisboa, nas zonas de Alvalade e Areeiro, onde não vão nascer escritórios mas apartamentos para habitação. “Há uma carência muito grande no mercado de arrendamento, até para alojar estrangeiros que vêm trabalhar para Portugal, que começam a ser em número muito significativo e não querem comprar casa, tal como os jovens”.

No Areeiro, um investimento de 45 milhões de euros dará origem a 300 novas casas. Já em Alvalade, vão nascer 80 apartamentos, fruto de um investimento de 15 milhões de euros. A aposta será em “pequenos apartamentos” destinados a arrendamento de média duração, “de um ou dois anos, para manter alguma flexibilidade”.

Os edifícios terão serviços complementares, como limpeza ou ginásio, “alguns incluídos na renda, outros opcionais”. Ambos os projetos, afirma Pinto Basto, são “inéditos” em Portugal e vêm dar resposta às necessidades de um mercado “inundado de alojamentos locais”. As obras devem começar no início do próximo ano, assim que estiver concluído o licenciamento.

Na mesma altura deverá arrancar outro projeto do grupo, mais abaixo no mapa. A empresa vai investir 40 milhões de euros num empreendimento de turismo residencial na Comporta, “um destino com pouquíssima oferta”, e espera vender em planta grande parte das 45 villas.

José Luís Pinto Basto não acredita nas ameaças de bolha que pairam sobre o mercado imobiliário. “Os preços não vão continuar a subir porque vai começar a haver oferta nova”, vaticina. E os bancos “ganharam juízo” com a crise “e já não financiam a 100% ou 110%”. Só uma nova e imprevisível crise vinda de fora, afirma, pode fazer com que o mercado meta água.

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