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11 setembro 2018

Euribor a subir põe fim à descida das prestações da casa

euribor

Será uma subida lenta, mas os economistas não duvidam: o ciclo de descida das prestações do crédito à habitação chegou ao fim. Primeiro foram os empréstimos indexados às Euribor a três e seis meses. E agora também os créditos associados à taxa a 12 meses.

“A média mensal da Euribor a 12 meses começou a subir ligeiramente depois de ter atingido o valor mínimo de -0,191% em março de 2018, sendo de -0,169% em agosto. Considerando o atual contexto económico, é expectável que esta tendência se mantenha nos próximos meses”, afirmou Nuno Rico, economista da Deco Proteste.

Na próxima revisão das prestações com créditos indexados a esta taxa, a subida já começará a ser sentida. “Nos contratos com taxa variável indexada à Euribor a 12 meses a prestação é revista anualmente, tendo em conta a data do contrato”, explicou o economista da Deco Proteste. “Na próxima revisão, os contratos com esta taxa já verão a prestação a subir”, disse Nuno Rico.

A tendência ascendente começou, mas é pouco expressiva, tendo em conta que as Euribor continuam em terreno negativo. A Euribor a 12 meses está muito longe do nível superior a 5% registado há uma década. “A taxa bateu no fundo. Vai continuar a subir, mas não é de esperar uma subida galopante”, explicou Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros. “Vai haver um aumento nas prestações das casas, mas não será uma subida acelerada”, adiantou.

Os consumidores têm beneficiado nos últimos anos da descida das suas prestações ao banco devido à sucessiva queda das taxas, que atingiram valores negativos históricos. Desde fevereiro que o indexante a 12 meses tem vindo a subir e, em agosto, registou o maior aumento dos últimos quatro anos em termos mensais. Passou de -0,179% para -0,169% (ver gráfico).

A média de agosto é superior em mais de 0,020 pontos do que a registada em fevereiro. “Não é isto que vai ao bolso das pessoas. Também não estou à espera que em 2019 se note muito” nas prestações ao banco, disse o mesmo economista. Em Portugal, apenas cerca de 10% dos contratos de crédito à habitação têm a Euribor a 12 meses como indexante.

Na prática, para um financiamento de 150 mil euros a 30 anos com um spread de 1%, o valor da prestação, tendo em conta a média da Euribor em agosto, é de 470,9 euros. Se a média da taxa subir, por exemplo, até 0,331%, a prestação passa para 505,6 euros por mês, segundo uma simulação da Deco Proteste.

Novo ciclo nas taxas

A inversão registada prende-se com a situação de normalização da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE). Antecipa-se o fim do programa de compra de ativos e uma menor liquidez no mercado. Por outro lado, há maior procura de crédito este ano. Também há a expectativa de que o BCE suba a taxa de referência de zero para 0,25% até ao final de 2019. Os economistas antecipam que até setembro do próximo ano a instituição liderada por Mário Draghi também suba a taxa de depósito de -0,4% para -0,2. As subidas deverão ocorrer mesmo antes do presidente do BCE terminar o seu mandato, em outubro de 2019.

Mas há riscos no horizonte, como as tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos, que podem ter implicações económicas, e a situação política em Itália. O BCE deverá confirmar esta semana a manutenção da sua política de reduzir a compra de obrigações a partir de outubro e concluir o programa até ao final deste ano. Também deverá sinalizar que vai manter as taxas pelo menos até ao final do verão de 2019, segundo a Bloomberg.

A subida das taxas de juro é uma ameaça às economias mais endividadas como a portuguesa. Mas para os economistas, só quando as taxas de referência do banco central começarem a subir, haverá um maior impacto nas prestações das casas devido a uma subida maior do indexante.

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