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26 setembro 2018

Carlos Costa alerta para euforia no imobiliário. Bancos afastam risco de bolha

banco de portugal

O Banco de Portugal já deu sinais de que teme excessos nos mercados de crédito e no imobiliário e Carlos Costa avisou ontem que convém que os agentes económicos tenham capacidade de os interpretar. O governador do Banco de Portugal advertiu esta terça-feira para os riscos de situações de euforia no mercado. Mas, poucas horas depois da intervenção do supervisor, os responsáveis de alguns dos maiores bancos portugueses afastaram o cenário de bolha.

No início de junho, o Banco de Portugal tinha já avisado que existiam “sinais de sobrevalorização” nos preços do imobiliário residencial. O ritmo de concessão de crédito levou também o supervisor a recomendar aos bancos que cumprissem alguns limites de forma a evitar potenciais excessos. O banco central quer limitar o montante do financiamento a 90% do valor do imóvel e impedir que as prestações dos empréstimos venham a pesar mais de 50% do rendimento das famílias. Pretende ainda limitar os prazos dos contratos de crédito.

Mas Carlos Costa voltou a dar sinais de que há risco de excessos. “Os agentes económicos não têm em conta e, portanto, não contemplam, as externalidades das suas decisões ou ações, em particular o risco sistémico. Esta constatação é particularmente relevante quando se desenvolvem situações de euforia no mercado, nomeadamente no mercado residencial e hipotecário”, disse o governador numa conferência sobre supervisão comportamental bancária realizada esta terça-feira.

Quando anunciou as recomendações para o crédito, o Banco de Portugal referiu que iria fazer uma avaliação periódica à eficácia dessas regras. E não descarta, caso seja necessário, tomar “medidas adicionais”. Do lado do governo e da Comissão Europeia a mensagem é que a evolução do crédito seja vigiada de perto pelo supervisor

Crédito a subir, preços a acelerar
Os preços das casas subiram 30% nos últimos quatro anos, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, relativos ao segundo trimestre. E o valor do novo crédito à habitação concedido pela banca aumentou mais de quatro vezes nos primeiros sete meses de 2018 do que há quatro anos. O setor disponibilizou 5,7 mil milhões de euros para a compra de casa até julho. Mesmo em relação a 2017 o aumento é de 26%.

Em julho, o mês em que entraram em vigor as novas regras do Banco de Portugal, a banca concedeu 919 milhões de euros para a compra de casa. Foi uma diminuição ligeira face a junho, mas ainda assim foi um dos meses mais ativos dos últimos anos apesar das recomendações do supervisor.

Carlos Costa defendeu a necessidade de “medidas que ataquem os desenvolvimentos sistémicos negativos resultantes da interação das decisões individuais”. E explicou que “estas medidas serão função da literacia e da aptidão financeiras dos agentes económicos e, em particular, da sua capacidade para interpretar os sinais que resultem da intervenção das autoridades prudenciais”.

O governador avisou que “como regra, uma menor capacidade de interpretação desta intervenção gera um maior risco de bolha de mercado e, por consequência, determina a necessidade de medidas prudenciais mais interventivas do lado da concessão de crédito, ou do lado da aplicação da poupança, para garantir a estabilidade financeira”.

Banqueiros rejeitam bolha

Os avisos do Banco de Portugal são também partilhados pelo governo. O secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, pediu também esta terça-feira que o supervisor continuasse atento à evolução do crédito. “O elevado nível de crédito malparado é ainda uma marca da crise anterior, por isso é fundamental a vigilância da evolução do crédito da nossa economia”, disse, citado pela Lusa, na conferência a Banca do Futuro, organizada pelo Jornal de Negócios.

Mas do lado dos banqueiros a mensagem é de que os preços das casas não devem descer e de confiança nas políticas de concessão de crédito. O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, explicou na mesma conferência que, contrariamente ao que acontecia há cinco ou dez anos, Lisboa e Porto passaram a fazer parte de um mercado internacional. Defende que isso deverá aguentar os preços do imobiliário nas duas cidades. “Dificilmente vejo que os preços vão descer”, disse, apesar de admitir um “ajustamento marginal”.

Pablo Forero, o presidente do BPI, considera que a situação que observa em Portugal “não tem nada a ver com a bolha imobiliária em Espanha”. Referiu que “há que evitar excessos” mas garantiu que a banca está a fazer esse trabalho.

Já Paulo Macedo, presidente da Caixa Geral de Depósitos, salientou que as práticas seguidas pelo setor e os modelos de governação são agora distintos do que acontecia no passado. Observou que mesmo com as recomendações do BdP, que diz serem cumpridas pelos bancos, não houve grandes oscilações no crédito. Defendeu que “ o que correu mesmo mal no passado foram as grandes posições dos bancos na construção e obras públicas”. E garante que atualmente isso “não acontece”.

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