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18 fevereiro 2020

Disrupção. Fazer com que funcione o mercado turístico e imobiliário em Portugal!

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Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

Há muito que ouvimos falar em disrupção tecnológica nos mercados turístico e imobiliário. Mas a disrupção terá de ir além da tecnologia. Disrupção no sentido de quebra ou descontinuação dos processos estabelecidos. Disrupção tecnológica no mercado turístico, hotelaria e viagens, com o aparecimento da internet e das agências de reserva online, disrupção tecnológica no mercado imobiliário com o aparecimento das protech´s e do “flat fee” como novo modelo de negócio. Por via da globalização e da massificação do acesso à tecnologia, clientes compradores de viagens e alojamento viram facilitado o acesso a novos destinos, dos quais muito beneficiou Portugal nos últimos anos. Rompendo-se o circuito de distribuição das agências de viagens, operadores turísticos e das grandes cadeias hoteleiras, pequenos hotéis independentes, alojamentos turísticos residenciais (alojamentos locais), novos destinos turísticos, meios de transporte “low cost” através de plataformas multilaterais e aplicativos, tornaram-se acessíveis a milhões de clientes globais.

Mais recentemente “protech´s” e “ibuyer´s” procuram introduzir modelos disruptivos no mercado imobiliário “ameaçando” o actual modelo operacional. Já lá vão um bom par de anos, em que como profissional da área da comunicação e marketing, fui desafiado para trabalhar num mercado para mim desconhecido, o da mediação imobiliária. Por essa altura no limiar do século XXI, redes de franquia imobiliária de origem norte – americana focadas no residencial e as grandes consultoras internacionais nos escritórios, retalho e hotelaria, iniciaram as suas operações. Inovações tecnológicas, marketing operacional e “branding”, programas de formação profissional, cooperação e partilha de informação em redes nacionais e internacionais, soluções integradas de serviços imobiliários, suportaram a expansão e implementação de novos modelos de negócio, testados com sucesso em outros mercados internacionais.

Passados 20 anos, o tema da disrupção torna-se mais presente. Uma marca reconhecida internacionalmente não é condição suficiente para atrair e reter clientes no mercado turístico e no mercado imobiliário. Modelos padronizados de processos, conceitos e procedimentos em tempos de mudança acelerada, devem ter um grau de flexibilidade que possibilite customização e adaptação permanente a novas necessidades e vontades dos seus clientes. É um enorme desafio à gestão dessas empresas. Manter a uniformidade, regras e procedimentos centralizados beneficiando das vantagens de escala e das sinergias da rede e introduzir alguns elementos de glocalização. Quem não o entender, corre o risco de num exercício de soberba, cristalizar, deixando de atrair consumidores, consultores imobiliários e empreendedores.

A tecnologia é hoje um elemento presente nas nossas vidas e facilitadora do acesso à informação imobiliária, tornando-a mais transparente. A tecnologia tornou-se um recurso indispensável à profissão imobiliária. Mas as “proptech´s” não serão ameaça, se os operadores do mercado incorporarem a tecnologia no seu dia a dia e fizerem uma autêntica disrupção cultural, dedicando exclusivamente o seu tempo e energia em benefício dos seus clientes. Nos últimos artigos publicados, temos alertado para a crescente tentação intervencionista de uma governação de orientação estatizante.

Para além do alcance diminuto ao nível da receita fiscal, manter o Adicional ao Imposto Municipal de Imóveis, introduzir a obrigatoriedade do englobamento das receitas prediais para efeitos de tributação de rendimentos em IRS, alterar a elegibilidade dos investimentos imobiliários para concessão de “vistos gold”, não resolve nenhum dos problemas do mercado da habitação. Pelo contrário agrava a situação. Regras totalmente desajustadas, burocracia excessiva, custos e timing´s dos licenciamentos, custos de construção e carga tributária excessiva em IVA . Até parece que o Estado tudo faz para que o mercado não funcione. A cada medida tomada ou anunciada ficamos mais longe dos generosos objectivos a que se propõe.

Fonte: Jorge Garcia, Especialista em Imobiliário

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