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28 julho 2010

“O primeiro semestre de 2010 foi um dos períodos mais difíceis de sempre para a fileira da Construção e do Imobiliário”

Reis Campos, presidente da CPCI

O investimento nos sectores da Construção e do Imobiliário regista, desde 2002, e em termos médios, uma quebra anual de 4%, tendo 2009 sido mesmo o pior ano desta década, revela, em entrevista, Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI).

A perfazer um ano à frente da CPCI, organização de cúpula que tem como missão unir e representar todo o sector da construção e do imobiliário, Reis Campos faz um balanço do trabalho desenvolvido até aqui, fala do caminho a seguir no sentido de ultrapassar a crise, da necessidade de se apostar em áreas capazes de captar investimento e apoios comunitários, e aponta a defesa e a credibilização das empresas que representa como um dos objectivos a atingir.



Casa Sapo (CS) – A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) está a assinalar o primeiro ano de actividade. Que balanço é possível fazer a esta altura?

Reis Campos (RC) – A constituição de uma organização de cúpula capaz de unir e representar todo o sector da construção e do imobiliário há muito que era um objectivo das diferentes associações representativas destas actividades. Assim, a exemplo do que acontece noutros países europeus, impunha-se a necessidade de fazer valer o peso que temos na economia nacional, situação que se tornou ainda mais visível nos últimos anos face à quebra de actividade que o sector enfrenta desde 2002 e à ausência de uma visão estratégica capaz de inverter essa situação, com graves consequências para as empresas desta fileira, mas também para o País.

Neste momento, ao fim de um ano de existência, este é um projecto que está perfeitamente consolidado. A CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário integra praticamente todas as associações que constituem esta fileira, o que lhe garante uma visão global da mesma.

Esta representatividade, conseguida desde a primeira hora, explica o reconhecimento público que a CPCI logo obteve, designadamente por parte do Ministério das Obras Públicas e, em particular, como parceiro social estratégico, uma vez que, com escassos meses de existência, a confederação foi escolhida para integrar o CES – Conselho Económico e Social, órgão que tem por objectivo promover a participação dos agentes económicos e sociais nos processos de tomada de decisão dos órgãos de soberania no âmbito das questões de natureza socioeconómica. Por isso, o balanço tem de ser necessariamente positivo.

CS – Como analisa os sectores da Construção e do Imobiliário, ao longo deste 1º ano à frente da CPCI? A situação estabilizou, melhorou ou, pelo contrário, agravou-se?

RC – Há um ano, quando foi oficializada e publicamente apresentada, as associações que constituíram a Confederação da Construção e do Imobiliário tinham plena consciência de que o vasto sector que passava a estar representado nesta nova entidade atravessava um dos momentos mais difíceis de que havia memória. Mas ninguém antecipava que, um ano depois, fosse possível atingir uma situação tão difícil quanto a que vivemos agora. De acordo com as Contas Nacionais, o investimento em Construção e no Imobiliário regista, desde 2002, e em termos médios, uma quebra de 4% ao ano. 2009 foi mesmo o pior ano desta década, com uma redução de 11,7%.

CS – Que metas/objectivos têm vindo a ser traçados pelo CPCI? E o que foi já conseguido?

RC – Como já referi, o reforço da cooperação e união entre as estruturas empresariais do sector e a sua consolidação, contribuindo para a reestruturação do associativismo de cúpula nacional, a par do reconhecimento da Confederação enquanto única interlocutora para as questões da construção e do imobiliário, eram dois objectivos fundamentais que nos propúnhamos atingir e que, neste momento, estão plenamente cumpridos.

Move-nos agora a modernização, o fortalecimento e o crescimento sustentável do tecido empresarial, a par da afirmação das especificidades que nos caracterizam e nos demarcam dos demais sectores de actividade, pelo que seremos uma voz intransigente na defesa das empresas de construção e do imobiliário, representando-as, defendendo-as, pugnando pela credibilização da sua imagem.

Continuaremos a evidenciar a necessidade de reconhecer nestas actividades, à semelhança do que aconteceu nos restantes países europeus, a importância e o papel que, enquanto verdadeiros motores da economia nacional, deverão desempenhar em prol do crescimento económico e no combate ao desemprego.

Neste sentido, estamos a elaborar um documento estratégico com o qual se pretende uma reflexão profunda sobre o diagnóstico da situação presente e apontar soluções que permitam, com a dinamização da construção e do imobiliário, dar um novo rumo ao País.


“O primeiro semestre de 2010 foi um dos períodos mais difíceis de sempre”


CS – Ao longo deste primeiro ano de actividade, que tipo de “apelos” a CPCI recebeu por parte dos agentes que actuam nestes mercados? Quais as dificuldades manifestadas?

RC – O primeiro semestre de 2010 foi um dos períodos mais difíceis de sempre para a fileira da Construção e do Imobiliário. Esteve longe de corresponder às expectativas e necessidades de todos quantos trabalham e investem nesta actividade e veio prolongar e agravar a crise que o sector vivia há já oito anos. Na verdade, as preocupações da Construção e do Imobiliário são muitas.

Aos problemas recorrentes, como a falta de encomendas, a prática reiterada de preços anormalmente baixos, as dificuldades de tesouraria, os constrangimentos no acesso ao crédito, os atrasos nos pagamentos, a ausência de estímulos para a reabilitação urbana e de uma política de habitação coerente, a uma lei das rendas profundamente desajustada, juntam-se agora as restrições impostas nos sucessivos PEC’s do Governo, nomeadamente a redução do investimento público e o aumento da carga fiscal.

CS – Como têm evoluído os indicadores de actividade e de emprego na Construção e no Imobiliário?

RC – A actividade revela uma perda contínua desde 2002, que supera os 31%. No que diz respeito ao emprego, a redução do número de postos de trabalho, nestes últimos 8 anos, foi de cerca de 21%, correspondendo a uma perda de 190 mil efectivos. É preciso ter consciência que este diferencial entre a produção e o emprego apenas existe porque as empresas têm vindo a fazer um esforço muito significativo para enfrentar a actual crise e preservar os postos de trabalho que representam.

CS – Qual o caminho a seguir no sentido de ajudar a revitalizar estes mercados? Que estratégias devem ser adoptadas?

RC – Este estado de coisas não pode continuar. É obrigatório agir de imediato e traçar uma estratégia para ultrapassar a crise. Uma estratégia capaz de criar uma nova orientação para as actividades da construção e do imobiliário, estabelecendo prioridades e avançando rapidamente para a sua concretização.

Por isso, é tempo de avançar com diferentes investimentos de proximidade em projectos necessários para o país, como é o caso da renovação das escolas, hospitais, edifícios ligados à justiça e à segurança, a água e ambiente, as energias renováveis, a conservação e modernização das redes rodoviária e ferroviária, os portos, a logística e a reabilitação urbana. Áreas que podem captar investimento privado e apoios comunitários, que são intensivas em mão-de-obra, capazes de mobilizar empresas nacionais de todas as dimensões e gerar actividade em toda a fileira que a confederação representa.


Fonte: CASASAPO

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