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16 setembro 2019

Onde vão viver os jovens portugueses? 78,1% não vivem onde gostariam

jovens

Dois em cada 10 jovens entre os 30 e 34 anos ainda vivem com os pais. Os baixos rendimentos e a dificuldade em pagar uma casa não lhes permite a independência. Apesar disso, sonham em ter uma casa própria.

No estudo divulgado hoje "Os desafios dos jovens no acesso à habitação”, integrado no II Observatório do Mercado da Habitação em Portugal, realizado pela Century 21 Portugal, a principal conclusão é que 78,1% dos jovens entre os 18 e os 34 anos não vive onde gostaria. A razão principal passa pela falta de recursos económicos para a habitação que desejam.

Mesmo os 25,9% dos que já estão a trabalhar não atingem os rendimentos necessários para a casa pretendida. A falta de meios suficientes para aquisição de habitação (16,4%) a somar aos 6,4% que estão desempregados, aos 4,7% que sentem insegurança no trabalho e aos 4,4% que não conseguem arrendar são os principais obstáculos para os jovens acederem à sua habitação.

O relatório mostra ainda que o facto de viverem fora da casa dos pais não significa que sejam economicamente independentes, dado que 37,2% dos jovens emancipados depende financeiramente da família ou parceiro. Já os jovens que ainda vivem com os pais, e que já dispõem de algum rendimento pontual, mais de 75% conta com o apoio económico da família.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, admite que “os principais desafios à emancipação dos jovens é o acesso ao mercado trabalho e os rendimentos auferidos numa primeira etapa da vida. Esta limitação faz com que as opções de casa partilhada seja a solução viável para muitos. Neste ponto, parece interessante apostar em alternativas à habitação tradicional, como o coliving, o micro housing ou o student housing, para suprir as necessidades deste segmento de mercado”. O responsável adianta que espera “ que estas soluções emergentes passem, num curto espaço de tempo, de uma alternativa elitista a soluções generalizadas, que possam estar ao alcance da maioria dos jovens portugueses, e estimulem, assim, uma importante mudança cultural. Os jovens necessitam de soluções temporárias e flexíveis para a primeira solução de habitação, na sua vida independente”.

Sonho de ter casa própria mantém-se

Quando se questiona onde desejaria viver, 33,4% dos jovens gostaria de morar numa casa própria com o parceiro, 18,5% gostaria de viver sozinho e 1,9% com amigos. De qualquer das formas, 53,8% prefere uma opção de casa própria, enquanto 36,7% se inclina para uma habitação arrendada. Apenas 4,5% optam por habitação partilhada, quer seja arrendada ou própria.

A opção por casa própria dispara para 64,5% nos jovens com mais de 30 anos, que são também os mais inseridos no mundo do trabalho. A aquisição de habitação é a solução apontada por 54,6% dos jovens entre os 25 e 29 anos e cai para 43,2% entre os menores de 25 anos.

No sentido inverso, a preferência pelo arrendamento é maior nos mais jovens e atinge os 48,1% nos que têm entre 18 e 24 anos, mas diminui à medida que a idade aumenta. Na faixa etária dos 25 aos 29 fixa-se nos 36,4% e desce para 25,1% a partir dos 30 anos.

“Neste estudo, evidencia-se o desejo dos jovens de saírem de casa dos pais para viverem em casal, numa tendência que aumenta com a idade. Também se verifica que os jovens portugueses mantêm ainda uma forte cultura de proprietários, à semelhança do que se verificou na geração dos seus pais. Porém, o arrendamento já é uma opção desejada por um em cada quatro jovens no limiar da vida adulta", explica o CEO.

Na análise às questões económicas que envolvem a habitação, comprova-se que oito em cada 10 jovens assumem parte das despesas da casa onde vivem e o custo com a habitação varia com a idade e a área de residência. Para os que já colaboram nos gastos com a habitação, o custo médio mensal que têm com arrendamento, hipoteca ou colaboração nas despesas da casa é de 348 euros, a nível nacional. Este valor médio sobe para mais de 350 euros entre os jovens com mais de 25 anos.

Um aspecto é o custo com a casa, já quem paga é outro completamente diferente. Apenas 36,4% dos jovens consegue assumir a totalidade dos gastos com a habitação onde vive, cerca de um terço partilha despesas com o companheiro e em 21% dos casos os custos da casa são integralmente suportados pelos pais.

Onde querem morar?

Sobre como gostariam que fosse a sua primeira casa, os inquiridos de todas as idades - de ambos os géneros e das diferentes regiões do país - preferem que a sua primeira casa seja na cidade onde já vivem. Esta tendência é ligeiramente superior no segmento mais jovem, e nos inquiridos do Porto, onde mais de um terço dos jovens escolhe a Invicta para ter a sua primeira casa. A zona da habitação reúne consenso nas diversas faixas etárias, com os jovens a admitirem que a principal preferência é viver nas zonas periféricas do centro da cidade.

O centro da cidade é a segunda opção mais apetecível para os lisboetas, bem como para os jovens portugueses com mais de 30 anos e para o segmento etário mais novo.

Os jovens entre os 25 e os 29 anos são os que apresentam maior apetência (14,7%) para mudar de cidade ou região, seguidos por 13,5% dos que têm mais de 30 anos, sendo também esta a faixa etária que regista maior predisposição para viver em meio rural.

Quanto ao tipo de habitação, a primeira opção para 44,5% dos jovens é um apartamento. Contudo, esta preferência muda para uma moradia nos que têm mais de 30 anos (36,1%) e para 36,6% dos jovens algarvios. Esta tendência pode evidenciar uma maior apetência para começar a constituir família num espaço mais adequado para iniciar a vida adulta, consoante as características do parque imobiliário da região onde pretendem habitar.

Viver num estúdio é a segunda preferência (18,1%) dos que têm entre 25 e 29 anos e dos jovens de Lisboa (14%). Esta opção também é indicada por 17,1% dos portuenses e por quase 15% dos jovens no resto do País. Um estúdio também é mais apetecível 3% para as mulheres do que para os homens.

Surpreendentemente, a opção de coliving é irrelevante e a menos atractiva para os jovens de todas as faixas etárias, exceto para 3,4% dos que têm entre 25 e 29 anos. Sobre este tema, Ricardo Sousa, acrescenta que que “há um grande mercado por explorar e há vários investidores nacionais e internacional a analisarem as dinâmicas do mercado e a prepararem-se para colocar no mercado soluções emergentes- como o coliving, o micro housing ou o student housing- mas acredito que será com a industrialização da construção que será possível, a longo prazo, um maior impacto positivo no mercado”.

Eficiência energética e sustentabilidade ambiental valorizada pelos jovens

Na casa que procuram para se emancipar, 68,6% dos jovens define que o factor mais importante é a segurança da zona e o segundo aspecto mais valorizado é a qualidade da construção (52,6%), seguido da eficiência energética (43%). Tendo em conta que mais de um terço dos jovens atribui também grande importância à sustentabilidade ambiental, à proximidade da habitação ao local de trabalho e aos transportes públicos, torna-se evidente a elevada consciência de desenvolvimento sustentável que esta geração já adquiriu.

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